Qualquer pessoa minimamente inteligente perceberia o tom indisfarçável e quase orgásmico de satisfação nas palavras do ancora do jornal da globo no final da noite de ontem e também no editorial da folha de São Paulo de hoje, pela injustiça a que serviu o supremo tribunal federal negando refúgio ao militante comunista, perseguido por suas opiniões políticas, Cesare Battisti. O âncora do jornal da globo, falou: “o grande derrotado foi o Ministro Tarso Genro...”.
Em verdade, a grande derrota foi para o direito de opinião e para todas as pessoas justas, que lutam contra as injustiças do estado capitalista.
O tom dado pelo âncora do jornal da globo e pelo editorial da Folha, não conseguiu disfarçar o tom de uma vitória pessoal desses próprios jornalistas e qualquer pessoa minimamente inteligente, percebeu isso.
É realmente preocupante para quem preza verdadeiramente pela liberdade de opinião e de expressão a demonização que a direita vem fazendo da esquerda, que fica evidente na postura de pessoas despreziveis que autodenominam-se jornalistas, mas na verdade, não tem da neutralidade e compromisso com a verdade que essa profissão exige.
Há uma semana atrás, foi absolvido pela mesma corte (que deveria ser de justiça) o denunciado e comprovadamente culpado Antonio Palocci. A similaridade no propósito dos dois casos é enorme: ambos os casos, pretenderam ser um recado de advertência da direita capitalista aos que tem a coragem de usar do direito mais legítimo do ser humano que é o direito de expressar-se contra os crimes do capital, a advertência de que condenarão qualquer pessoa que, dentro de seu direito, ouse enfrentar o poder e o capitalismo, mas absolverão os criminosos, desde que esses defendam o poder e o capitalismo.
sexta-feira, setembro 11, 2009
domingo, agosto 09, 2009
Sugestão de amigo para quem ainda acha que os refugiados palestinos estão bem no Brasil
Tente sentir, por um minuto, a situação do povo palestino que tem de fugir da sua terra, expulso pela força de tiros e bombardeios aéreos, depois de ver familiares e amigos seus serem covardemente trucidados pelo exército extremamente sanguinário de Israel.
Uma vez em fuga (alguns apenas com a roupa do corpo), tenta atravessar a fronteira de um país vizinho, que geralmente, naquela região, fica no meio do deserto, e alguns desses países vizinhos lhe impede a passagem.
Não podendo voltar para não ver assassinados os que restaram vivos de sua família e amigos, estaciona ali e passa a viver por anos, da ajuda humanitária da ONU, suportando temperaturas de mais de cinquenta graus durante o dia e abaixo de zero a noite, sob tendas de dez metros quadrados, sob constante ameaça das monstruosas tempestades de areia, cobras e escorpiões do deserto.
Quando o Brasil o resolve acolher, lhe diz ter toda uma estrutura montada que vai lhe permitir reconstruir a vida.
Depois de desembarcados no Brasil, os dias vão passando, a estrutura prometida não funciona, não sai do papel, conforme prometida. Tentam subsistir por conta própria, com a diferença de que nós, pelo menos, falamos português e ele, o árabe.
Sem a estrutura prometida e um auxilio financeiro insuficiente, no dia a dia, aqui, sua opção mais lógica e priorizar a subsistência em detrimento de frequentar as inadequadas e escassas aulas de português e sofre com a impossibilidade de se comunicar para conseguir um emprego, para comprar algo numa loja, para um atendimento médico e o que antes era uma esperança de vida transforma-se em morte, como de fato se transformou por duas vezes, nesses 22 meses que estão em Mogi e alguns estão doentes e, repito: sem assistência médica. - A estrutura prometida não previu que eles precisariam de tradutores?
Sofre por ter de carregar o estigma de refugiado, sofre com a rejeição de muitos da sociedade local que não conhecem sua história, ou conhece apenas a versão apresentada pelos covardes invasores da sua terra, e por isso o rejeita. Sofre com a rejeição (ainda que velada) de um povo que não conhece seu idioma, sua religião, sua cultura totalmente diferentes da nossa.
Depois, descobre que se tornou refém, durante dez anos proibido de sair do Brasil, no caso de não ser possível se adaptar na nossa sociedade, o que normalmente acontece quando um refugiado de lingua árabe é enviado para um país de lingua latina.
Essa é a saga do povo palestino, a maior etnia de refugiados do mundo, a maior catástrofe humanitária da história, causada pela bestialidade humana. E quem os procurar conhecer, verá que são pessoas respeitosas, gentis e amigas verdadeiras.
Minha sugestão a todos que não conhecem a verdadeira história da catástrofe que vive o povo palestino é que procurem conhecer os refugiados, ouça sua versão para não ficar apenas com a versão dos seus algozes.
Vocês terão nos palestinos os melhores amigos de suas vidas.
Uma vez em fuga (alguns apenas com a roupa do corpo), tenta atravessar a fronteira de um país vizinho, que geralmente, naquela região, fica no meio do deserto, e alguns desses países vizinhos lhe impede a passagem.
Não podendo voltar para não ver assassinados os que restaram vivos de sua família e amigos, estaciona ali e passa a viver por anos, da ajuda humanitária da ONU, suportando temperaturas de mais de cinquenta graus durante o dia e abaixo de zero a noite, sob tendas de dez metros quadrados, sob constante ameaça das monstruosas tempestades de areia, cobras e escorpiões do deserto.
Quando o Brasil o resolve acolher, lhe diz ter toda uma estrutura montada que vai lhe permitir reconstruir a vida.
Depois de desembarcados no Brasil, os dias vão passando, a estrutura prometida não funciona, não sai do papel, conforme prometida. Tentam subsistir por conta própria, com a diferença de que nós, pelo menos, falamos português e ele, o árabe.
Sem a estrutura prometida e um auxilio financeiro insuficiente, no dia a dia, aqui, sua opção mais lógica e priorizar a subsistência em detrimento de frequentar as inadequadas e escassas aulas de português e sofre com a impossibilidade de se comunicar para conseguir um emprego, para comprar algo numa loja, para um atendimento médico e o que antes era uma esperança de vida transforma-se em morte, como de fato se transformou por duas vezes, nesses 22 meses que estão em Mogi e alguns estão doentes e, repito: sem assistência médica. - A estrutura prometida não previu que eles precisariam de tradutores?
Sofre por ter de carregar o estigma de refugiado, sofre com a rejeição de muitos da sociedade local que não conhecem sua história, ou conhece apenas a versão apresentada pelos covardes invasores da sua terra, e por isso o rejeita. Sofre com a rejeição (ainda que velada) de um povo que não conhece seu idioma, sua religião, sua cultura totalmente diferentes da nossa.
Depois, descobre que se tornou refém, durante dez anos proibido de sair do Brasil, no caso de não ser possível se adaptar na nossa sociedade, o que normalmente acontece quando um refugiado de lingua árabe é enviado para um país de lingua latina.
Essa é a saga do povo palestino, a maior etnia de refugiados do mundo, a maior catástrofe humanitária da história, causada pela bestialidade humana. E quem os procurar conhecer, verá que são pessoas respeitosas, gentis e amigas verdadeiras.
Minha sugestão a todos que não conhecem a verdadeira história da catástrofe que vive o povo palestino é que procurem conhecer os refugiados, ouça sua versão para não ficar apenas com a versão dos seus algozes.
Vocês terão nos palestinos os melhores amigos de suas vidas.
sábado, junho 20, 2009
Dia 20 de junho – Dia Mundial do Refugiado. Nada a comemorar. Tudo a lamentar e denunciar.
Imagine que você é alguém que viu membros da sua família e amigos serem trucidados por bombas e tiros e teve que fugir deixando tudo para trás tentando às pressas salvar o que for possível. Imagine que para todo lugar, onde você vá, na tentativa de se proteger encontre pessoas armadas que te odeiam pelo único motivo de você ter nascido numa terra que eles ambicionam, e por isso querem te matar e aos seus. Imagine que você é uma pessoa pacífica, que condena a violência, as armas, o ódio e o que você mais quer é ver as pessoas vivendo solidariamente e em paz e mesmo assim, você, sua família e seus amigos que pensam como você são caçados como bichos. Imagine que o único lugar que lhe sobrou para alojar o que sobrou da sua família e amigos é um deserto, sob tendas de lona de 10 metros quadrados, em meio a cobras, escorpiões, tempestades de areia, temperaturas extremas para cima durante o dia e para baixo durante a noite e nesse lugar você será obrigado a viver por tempo indefinido, contando apenas com a sorte para que os que querem lhe ver morto não lhe encontrem antes do que alguém que lhe queira ajudar. Agora imagine que após anos nessa agonia da espera, alguém chegue lhe prometendo ajuda, lhe prometendo levar para outro país, distante e seguro de toda a violência que há em sua terra, longe das pessoas que querem te matar, um lugar muito bom de se viver, lhe prometendo, documentos, emprego, oportunidades para reconstruir sua vida, assistência médica e odontológica, aulas do idioma da nova terra que lhe está sendo oferecida. Agora, imagine que depois de toda a tragédia do passado de sua vida e do “paraíso” prometido, nesse “paraíso” você se depara com miséria e todo tipo de dificuldade, sem que todas aquelas promessas de uma nova vida, digna, sejam cumpridas, sejam reais e então, você cai na real de que, aqueles que a prometeram, apenas usaram da sua necessidade extrema, da sua ansiedade, do seu maior sonho, da sua esperança de uma vida melhor, para tirarem proveito próprio, uma oportunidade de ascensão política, talvez.
Essa é a situação em que se encontram hoje os palestinos que foram trazidos como refugiados para o Brasil em setembro e outubro de 2007, sendo 57 para Mogi das Cruzes, de um total de 108. Foram trazidos, sem ter a oportunidade de escolher. Aos que se recusavam a vir porque já previam as dificuldades de adaptação, era dito de forma ameaçadora que então eles seriam entregues ao exército da coalisão norte americana ou às milícias que os queriam ver mortos. Chegando aqui, foram separados em localidades distantes, os que não foram trazidos para Mogi foram levados para o Rio Grande do Sul e Paraná. Todos eles falam a lingua inglesa, além da língua árabe, mas não foram levados para algum país de língua inglesa, mas sim para um país de língua portuguesa, e a ajuda prometida não passaram de promessas.
Neste dia 20 de junho, dia dedicado a lembrar os refugiados, minha maneira de homenagear os refugiados palestinos, com quem tenho convivido e visto o quanto são amáveis, agradecidos, amigos e também vulneráveis, é contando essa verdade que não é dita, não é divulgada.
Que a ACNUR, o governo brasileiro e o Cáritas cumpram, com urgência, com suas promessas de lhes dar todas as condições para que possam reconstruir suas vidas, já que aceitaram recebê-los aqui. Os próximos três meses serão cruciais para eles, visto que termina o prazo de dois anos da ajuda de custo irrisória paga pela ACNUR, através do Cáritas Diocesana.
Mauro Rodrigues de Aguiar
Coletivo Libertário Trinca
P.S.: Não sou palestino, sou um brasileiro que tem acompanhado as dificuldades dos palestinos refugiados em Mogi das Cruzes e as mazelas da Cáritas Diocesana.
Essa é a situação em que se encontram hoje os palestinos que foram trazidos como refugiados para o Brasil em setembro e outubro de 2007, sendo 57 para Mogi das Cruzes, de um total de 108. Foram trazidos, sem ter a oportunidade de escolher. Aos que se recusavam a vir porque já previam as dificuldades de adaptação, era dito de forma ameaçadora que então eles seriam entregues ao exército da coalisão norte americana ou às milícias que os queriam ver mortos. Chegando aqui, foram separados em localidades distantes, os que não foram trazidos para Mogi foram levados para o Rio Grande do Sul e Paraná. Todos eles falam a lingua inglesa, além da língua árabe, mas não foram levados para algum país de língua inglesa, mas sim para um país de língua portuguesa, e a ajuda prometida não passaram de promessas.
Neste dia 20 de junho, dia dedicado a lembrar os refugiados, minha maneira de homenagear os refugiados palestinos, com quem tenho convivido e visto o quanto são amáveis, agradecidos, amigos e também vulneráveis, é contando essa verdade que não é dita, não é divulgada.
Que a ACNUR, o governo brasileiro e o Cáritas cumpram, com urgência, com suas promessas de lhes dar todas as condições para que possam reconstruir suas vidas, já que aceitaram recebê-los aqui. Os próximos três meses serão cruciais para eles, visto que termina o prazo de dois anos da ajuda de custo irrisória paga pela ACNUR, através do Cáritas Diocesana.
Mauro Rodrigues de Aguiar
Coletivo Libertário Trinca
P.S.: Não sou palestino, sou um brasileiro que tem acompanhado as dificuldades dos palestinos refugiados em Mogi das Cruzes e as mazelas da Cáritas Diocesana.
segunda-feira, junho 08, 2009
Clique aqui e assine a petição on line que exige a contratação de mais empregados para a Caixa
Se você é cliente da Caixa Econômica Federal e não aguenta mais a demora no atendimento.
Se você é empregado da CEF e não aguenta mais ter de trabalhar tanto e mesmo assim continua tendo de se matar de fazer hora extra para conseguir dar conta do trabalho acumulado.
Se você é aprovado nos concursos de 2006 ou 2008 da CEF e não aguenta mais a agonia de tanta espera para ser chamado.
ASSINE ESSE ABAIXO ASSINADO, CLICANDO NO TÍTULO DESSA POSTAGEM.
Se você é empregado da CEF e não aguenta mais ter de trabalhar tanto e mesmo assim continua tendo de se matar de fazer hora extra para conseguir dar conta do trabalho acumulado.
Se você é aprovado nos concursos de 2006 ou 2008 da CEF e não aguenta mais a agonia de tanta espera para ser chamado.
ASSINE ESSE ABAIXO ASSINADO, CLICANDO NO TÍTULO DESSA POSTAGEM.
domingo, abril 19, 2009
Resgatar o verdadeiro significado do dia 1º de maio - Dia dos Trabalhadores

O Dia do Trabalhador, com o passar do tempo foi sendo apropriado e adaptado pela burguesia, a ponto de, nos dias de hoje ser comum ouvirmos a denominação "dia do trabalho" ao invés de Dia do Trabalhador. Essa interpretação errônea foi incutida propositalmente pela burguesia no seio da classe assalariada para desvirtuar o que, verdadeiramente deve significar o dia 1º de maio.
O 1º de maio - DIA DO TRABALHADOR (e não dia do trabalho), deve servir para, primeiramente, prestarmos homenagens póstumas em memória dos oito trabalhadores (Hessois Auguste Spies, diretor do Diário dos Trabalhadores e os sindicalistas Michel Schwab, Adolph Fisher, Albert Parsons, Oscar Neebe, Louis Lingg, Samuel Fielden e George Engel) condenados à morte (mais tarde convertida a pena a prisão perpétua e Neeb a 15 anos de prisão) por liderarem uma greve geral pela redução da jornada de trabalho a oito horas por dia, em 1886. Mesmo descartada a pena de morte, em 11 de novembro de 1887, Spies, Parsons, Fischer e Engel foram enforcados na cadeia de Chicago e Lingg morreu na prisão, e a polícia disse que foi suicídio. O 1º de maio de cada ano deve também ser uma data de revigoração da luta e da consciência de classe dos trabalhadores assalariados. O que não pode ser, é o dia 1º de maio ser transformado em dia de comícios de partidos políticos, com grandes comemorações, mega shows e sorteio de brindes, como faz o pseudo-sindicalismo atual. Esse tipo de idéia sobre o 1º de maio, passada aos trabalhadores, só serve aos interesses ideológicos e econômicos da classe opressora dos trabalhadores.
domingo, abril 05, 2009
Libertem Anarco, imediatamente!
Libertem Anarco, imediatamente!
Era a segunda ou terceira manifestação que eu participava em minha vida.
Acho também que foi a primeira vez que fui àquela cidade.
Foi em 1998 e era um dia de clima instável no Rio de Janeiro.
O motivo da caravana da Universidade Federal de São Carlos: somar-se ao
ato que buscava impedir a privatização da empresa estatal de
telecomunicações, a TELEBRÁS.
Naquele dia tínhamos uma missão muito difícil, pois, apesar de ser uma
manifestação bastante forte, carregávamos uma bandeira que não era
empunhada por quase ninguém além da vanguarda do movimento social
organizado. Fernando Henrique possuía naquele período apoio popular para
suas medidas neoliberais, promovendo verdadeira liquidação das empresas
mais importantes e determinantes para um mínimo grau de soberania política
para o país.
Logo que chegamos à cidade e a quilômetros da Bolsa de Valores do RJ
(local do leilão de privatização da empresa) sentíamos o clima de
repressão construído para nossa manifestação. Prenúncio do que acorreria
minutos depois.
Ainda com metade das pessoas descendo dos ônibus para se integrar ao ato,
vimos perfilar ao nosso lado muitos destacamentos da Tropa de Choque que,
batendo as botas no asfalto e os cacetetes nos escudos, começaram a
marchar em direção à manifestação.
Andamos de costas para nos integrar à manifestação porque, mesmo antes de
cumprimentar os demais companheiros do ato, já precisávamos nos defender
do cacetetes, gás pimenta e demais “utensílios de convencimento” do estado
democrático de direito.
Uma série de fatos aconteceu muito ligeiramente.
Em segundos vimos os policiais derrubando as barracas do acampamento do
MST que foi abrigo dos manifestantes durante a vigília na noite que
precedia o leilão. A polícia, em covardia nada inédita, mas repugnante
como sempre, golpeavam com cacetetes de madeira as mulheres e crianças que
estavam presas embaixo das lonas pretas. Simultaneamente, o caminhão de
som da manifestação era guinchado pela polícia, prendendo toda a
coordenação do ato que estava sobre ele.
Esse foi apenas o início do início de um confronto que durou horas no
centro velho do Rio de Janeiro, nas adjacências da Rua do Ouvidor - foi
buscando uma referência para evitar nossa dispersão que conheci essa
famosa rua.
Quem participou daquela manifestação certamente possui muitas descrições
das ações que realizamos naquele dia durante as horas de enfrentamento com
a polícia. Esta por sua vez não queria somente acabar com a manifestação,
queria humilhar sobremaneira todas as organizações e participantes daquele
momento onde se vendia a preço de casca de banana a TELEBRÁS.
Anarco, que era estudante da UFSCar, com sua câmera em punho, foi um dos
primeiros estudantes que desceram do ônibus. Ele não permaneceu mais que
três minutos no ato, sendo preso depois receber socos e pontapés. Qual foi
o crime que Anarco cometeu? - Lutar com uma máquina fotográfica contra a
privatização da Telebrás.
Anarco foi um dos dois ativistas que foram detidos de nossa delegação de
São Carlos/SP. Outro companheiro também foi J. D., militante à época da
organização O Trabalho/PT.
Esse companheiro inclusive foi preso por ter me defendido de uma ação da
polícia, pois depois de ter entrado em confronto direto com alguns
soldados da Choque, eu fui detido por um policial à paisana que estava
dentro de nossa coluna. Não sei como (sei que foi uma combinação de medo e
coragem) consegui me livrar. Esse P2 então me apontou para um dos
comandantes da Choque que, por sua vez, destacou alguns “Comandos em Ação”
para me prender. Desta vez, mais com medo do que com coragem, me soltei
dos soldados e sai correndo. Nem Usain Bolt me alcançaria naquele dia,
tamanho impulso que o medo havia me dado.
Como os policias foram atrás de mim, J. D. entrou na frente de um deles,
buscando impedir o progresso do policiais. Tamanha era a ânsia em
desmontar o ato que os policiais marcaram J.D. e, depois de uns dez
minutos, voltaram com uma viatura e o prenderam.
Anarco e J.D. forarm detidos e depois liberados.
Na última semana, quase onze anos depois daquela manifestação, meu
camarada João Zafalão, que era o principal dirigente do DCE da UFSCar em
98 (hoje membro da direção executiva da APEOESP pela oposição) me ligou e
me informou que Anarco fora preso e encarcerado na cidade de Araraquara
por julgamento do processo aberto naquela manifestação no dia da
privatização da TELEBRÁS.
Surpresa. Revolta!
A prisão de Anarco é um ataque, dentre outros muitos e não menos
importante, aos movimentos sociais organizados. É parte de uma ação
combinada entre governo e todas as suas instituições para criminalizar
organizações e pessoas que dedicaram e/ou que ainda dedicam esforços para
construir uma nova sociedade.
Nesses anos passados, os trabalhadores mudaram de opinião sobre as
privatizações. Sabem que se entregou para multinacionais empresas
fundamentais e que recebemos em troca altas tarifas e péssimos serviços.
Essa mudança nos dá muito melhores condições de derrotar as privatizações.
Apesar disso, as privatizações ainda continuam. Lula, por exemplo,
privatiza estrada, vende poços de petróleo e, sob a forma de “privatização
branca”, entrega o controle da Petrobrás às empresas privadas.
A prisão de Anarco e a continuidade das privatizações demonstram que a
luta daquela manifestação em 1998 continua sendo muito necessária.
Na verdade, a libertação de Anarco é condição para avançarmos na luta
contra aqueles que estruturam suas vidas sobre a destruição da natureza,
sobre a opressão e o desgraçar de vidas de jovens, mulheres, negros e
homossexuais.
A liberdade de Anarco é parte da luta contra aqueles que vivem às custas
da exploração do suor da classe trabalhadora.
Solidariedade total ao companheiro Anarco!
Nenhuma prisão daqueles que lutam!
JJ
Era a segunda ou terceira manifestação que eu participava em minha vida.
Acho também que foi a primeira vez que fui àquela cidade.
Foi em 1998 e era um dia de clima instável no Rio de Janeiro.
O motivo da caravana da Universidade Federal de São Carlos: somar-se ao
ato que buscava impedir a privatização da empresa estatal de
telecomunicações, a TELEBRÁS.
Naquele dia tínhamos uma missão muito difícil, pois, apesar de ser uma
manifestação bastante forte, carregávamos uma bandeira que não era
empunhada por quase ninguém além da vanguarda do movimento social
organizado. Fernando Henrique possuía naquele período apoio popular para
suas medidas neoliberais, promovendo verdadeira liquidação das empresas
mais importantes e determinantes para um mínimo grau de soberania política
para o país.
Logo que chegamos à cidade e a quilômetros da Bolsa de Valores do RJ
(local do leilão de privatização da empresa) sentíamos o clima de
repressão construído para nossa manifestação. Prenúncio do que acorreria
minutos depois.
Ainda com metade das pessoas descendo dos ônibus para se integrar ao ato,
vimos perfilar ao nosso lado muitos destacamentos da Tropa de Choque que,
batendo as botas no asfalto e os cacetetes nos escudos, começaram a
marchar em direção à manifestação.
Andamos de costas para nos integrar à manifestação porque, mesmo antes de
cumprimentar os demais companheiros do ato, já precisávamos nos defender
do cacetetes, gás pimenta e demais “utensílios de convencimento” do estado
democrático de direito.
Uma série de fatos aconteceu muito ligeiramente.
Em segundos vimos os policiais derrubando as barracas do acampamento do
MST que foi abrigo dos manifestantes durante a vigília na noite que
precedia o leilão. A polícia, em covardia nada inédita, mas repugnante
como sempre, golpeavam com cacetetes de madeira as mulheres e crianças que
estavam presas embaixo das lonas pretas. Simultaneamente, o caminhão de
som da manifestação era guinchado pela polícia, prendendo toda a
coordenação do ato que estava sobre ele.
Esse foi apenas o início do início de um confronto que durou horas no
centro velho do Rio de Janeiro, nas adjacências da Rua do Ouvidor - foi
buscando uma referência para evitar nossa dispersão que conheci essa
famosa rua.
Quem participou daquela manifestação certamente possui muitas descrições
das ações que realizamos naquele dia durante as horas de enfrentamento com
a polícia. Esta por sua vez não queria somente acabar com a manifestação,
queria humilhar sobremaneira todas as organizações e participantes daquele
momento onde se vendia a preço de casca de banana a TELEBRÁS.
Anarco, que era estudante da UFSCar, com sua câmera em punho, foi um dos
primeiros estudantes que desceram do ônibus. Ele não permaneceu mais que
três minutos no ato, sendo preso depois receber socos e pontapés. Qual foi
o crime que Anarco cometeu? - Lutar com uma máquina fotográfica contra a
privatização da Telebrás.
Anarco foi um dos dois ativistas que foram detidos de nossa delegação de
São Carlos/SP. Outro companheiro também foi J. D., militante à época da
organização O Trabalho/PT.
Esse companheiro inclusive foi preso por ter me defendido de uma ação da
polícia, pois depois de ter entrado em confronto direto com alguns
soldados da Choque, eu fui detido por um policial à paisana que estava
dentro de nossa coluna. Não sei como (sei que foi uma combinação de medo e
coragem) consegui me livrar. Esse P2 então me apontou para um dos
comandantes da Choque que, por sua vez, destacou alguns “Comandos em Ação”
para me prender. Desta vez, mais com medo do que com coragem, me soltei
dos soldados e sai correndo. Nem Usain Bolt me alcançaria naquele dia,
tamanho impulso que o medo havia me dado.
Como os policias foram atrás de mim, J. D. entrou na frente de um deles,
buscando impedir o progresso do policiais. Tamanha era a ânsia em
desmontar o ato que os policiais marcaram J.D. e, depois de uns dez
minutos, voltaram com uma viatura e o prenderam.
Anarco e J.D. forarm detidos e depois liberados.
Na última semana, quase onze anos depois daquela manifestação, meu
camarada João Zafalão, que era o principal dirigente do DCE da UFSCar em
98 (hoje membro da direção executiva da APEOESP pela oposição) me ligou e
me informou que Anarco fora preso e encarcerado na cidade de Araraquara
por julgamento do processo aberto naquela manifestação no dia da
privatização da TELEBRÁS.
Surpresa. Revolta!
A prisão de Anarco é um ataque, dentre outros muitos e não menos
importante, aos movimentos sociais organizados. É parte de uma ação
combinada entre governo e todas as suas instituições para criminalizar
organizações e pessoas que dedicaram e/ou que ainda dedicam esforços para
construir uma nova sociedade.
Nesses anos passados, os trabalhadores mudaram de opinião sobre as
privatizações. Sabem que se entregou para multinacionais empresas
fundamentais e que recebemos em troca altas tarifas e péssimos serviços.
Essa mudança nos dá muito melhores condições de derrotar as privatizações.
Apesar disso, as privatizações ainda continuam. Lula, por exemplo,
privatiza estrada, vende poços de petróleo e, sob a forma de “privatização
branca”, entrega o controle da Petrobrás às empresas privadas.
A prisão de Anarco e a continuidade das privatizações demonstram que a
luta daquela manifestação em 1998 continua sendo muito necessária.
Na verdade, a libertação de Anarco é condição para avançarmos na luta
contra aqueles que estruturam suas vidas sobre a destruição da natureza,
sobre a opressão e o desgraçar de vidas de jovens, mulheres, negros e
homossexuais.
A liberdade de Anarco é parte da luta contra aqueles que vivem às custas
da exploração do suor da classe trabalhadora.
Solidariedade total ao companheiro Anarco!
Nenhuma prisão daqueles que lutam!
JJ
quarta-feira, abril 01, 2009
Triando a máscara da imprensa burguesa brasileira
As manchetes do Golpe
Depois da revelação de que o governo americano patrocinou, com armas e dólares, a implantação da ditadura de 64, um pesquisador se deu ao trabalho de coletar e divulgar na internet uma lista das manchetes e editoriais dos principais jornais brasileiros a partir de 1º de abril de 1964. Confira:
(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 1º de Abril de 1964):
De Norte a Sul vivas à Contra-Revolução“
Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”
(O Estado de Minas - Belo Horizonte - 2 de abril de 1964):
“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade.
Ovacionados o governador do estado e chefes militares.
O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (...), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade”
(O Globo - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)Os bravos militares“
Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”
“Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”
(O Dia - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)Carnaval nas ruas“
A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”
(Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)Escorraçado“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas.
Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”
(Editorial de O Povo - Fortaleza - 3 de Abril de 1964)
“A paz alcançada
A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
(O Globo - Rio de Janeiro - 4 de Abril de 1964)“Ressurge a Democracia !
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.
Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições”
“Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada ...”
(Correio Braziliense - Brasília - 16 de Abril de 1964)“
Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República ...
O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”
(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 31 de Março de 1973) “Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas”
“Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”
(A Razão - Santa Maria - RS - 17 de Abril de 1964)“
Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se.
Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”.
O Cruzeiro Extra - 10 de Abril de 1964 - Edição Histórica da Revolução - “Saber ganhar” - David Nasser
“Sabíamos, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade”
(Jornal do Brasil, edição de 01 de abril de 1964.)
“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”.
(O Globo", edição de 07 de outubro de 1984, sob o título: "Julgamento da Revolução".)"Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada". Editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal "
31/03/64 – FOLHA DA TARDE – (Do editorial, A GRANDE AMEAÇA)"... cuja subversão além de bloquear os dispositivos de segurança de todo o hemisfério , lançaria nas garras do totalitarismo vermelho, a maior população latina do mundo ..."
31/03/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, BASTA!): "O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!"
31/02/64 – JORNAL DO BRASIL – "Quem quisesse preparar um Brasil nitidamente comunista não agiria de maneira tão fulminante quanto a do Sr. João Goulart a partir do comício de 13 de março..."
1o/04/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, FORA!): "Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!"
1o/04/64 – ESTADO DE SÃO PAULO – (SÃO PAULO REPETE 32) "Minas desta vez está conosco"... "dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições."
02/04/64 – O GLOBO – "Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada"... "atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso... as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal".
02/04/64 – CORREIO DA MANHÃ – "Lacerda anuncia volta do país à democracia."
05/04/64 – O GLOBO – "A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista".
05/04/64 – O ESTADO DE MINAS – "Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos". "Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria."
06/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "PONTES DE MIRANDA diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la!"
09/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Congresso concorda em aprovar Ato Institucional".
10/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Partidos asseguram a eleição do General Castelo Branco".
16/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Rio festeja a posse de Castelo".
18/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Castelo garante o funcionamento da Justiça".
21/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Castelo diminui nível de aumento aos militares". Corte propõe aumento aos militares com 50% menos do que tabela anterior".
07/10/1984 – O GLOBO – (Do editorial, JULGAMENTO DA REVOLUÇÃO) "...Sem o povo não haveria revolução, mas apenas um "pronunciamento" ou "golpe" com o qual não estaríamos solidários". "... nos meses dramáticos de 1968 em que a intensificação dos atos de terrorismo provocou a implantação do AI-5." "...na expansão econômica de 1969 a 1972, quando o produto nacional bruto cresceu à taxa média anual de 10%..." "...naquele primeiro decênio revolucionário, a inflação decrescerá de 96% para 12% ao ano, elevando-se as exportações anuais de 1 bilhão e 300 mil dólares para mais de 12 bilhões de dólares". "... elevando a produção de petróleo de 175 mil para 500 mil barris diários e a de álcool de 680 milhões para 8 bilhões de litros, e simultaneamente aumentar a fabricação industrial em 85%, expandir a área plantada para produção de alimentos com 90 milhões de hectares a mais, criar 13 milhões de novos empregos, assegurar a presença de mais de 10 milhões de estudantes nos bancos escolares, ampliar a população economicamente ativa de 25 milhões para 45 milhões elevando as exportações anuais de 12 bilhões para 22 bilhões de dólares". "... há que se reconhecer um avanço impressionante: em 1964 éramos a quadragésima nona economia mundial, com uma população de 80 milhões de pessoas e renda per capita de 900 dólares; somos hoje a oitava, com uma população de 130 milhões de pessoas, e uma renda média per capita de 2500 dólares". "...Não há memória de que haja ocorrido aqui, ou em qualquer outro país, que um regime de força consolidado há mais de dez anos, se tenha utilizado do seu próprio arbítrio para se auto limitar, extingüindo-se os poderes de exceção, anistiando adversários, ensejando novos quadros partidários, em plena liberdade de imprensa. É esse, indubitavelmente, o maior feito da Revolução de 1964".
Mais algumas manchetes:
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Pesquisa: Clarissa Pont
Encontra-se em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15896&alterarHomeAtual=1
Folha de São Paulo, 22 de setembro de 1971 - Editorial de Octávio Frias de Oliveira:
"Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não
compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de
maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável,
respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil
pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social -
realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo
reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se
alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente
erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o
sentimento deste.”
Folha de São Paulo, 17 de fevereiro de 2009: "As chamadas "ditabrandas" - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça".
Depois da revelação de que o governo americano patrocinou, com armas e dólares, a implantação da ditadura de 64, um pesquisador se deu ao trabalho de coletar e divulgar na internet uma lista das manchetes e editoriais dos principais jornais brasileiros a partir de 1º de abril de 1964. Confira:
(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 1º de Abril de 1964):
De Norte a Sul vivas à Contra-Revolução“
Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”
(O Estado de Minas - Belo Horizonte - 2 de abril de 1964):
“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade.
Ovacionados o governador do estado e chefes militares.
O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (...), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade”
(O Globo - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)Os bravos militares“
Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”
“Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”
(O Dia - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)Carnaval nas ruas“
A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”
(Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - 2 de Abril de 1964)Escorraçado“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas.
Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”
(Editorial de O Povo - Fortaleza - 3 de Abril de 1964)
“A paz alcançada
A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
(O Globo - Rio de Janeiro - 4 de Abril de 1964)“Ressurge a Democracia !
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.
Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições”
“Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada ...”
(Correio Braziliense - Brasília - 16 de Abril de 1964)“
Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República ...
O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”
(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 31 de Março de 1973) “Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas”
“Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”
(A Razão - Santa Maria - RS - 17 de Abril de 1964)“
Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se.
Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”.
O Cruzeiro Extra - 10 de Abril de 1964 - Edição Histórica da Revolução - “Saber ganhar” - David Nasser
“Sabíamos, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade”
(Jornal do Brasil, edição de 01 de abril de 1964.)
“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”.
(O Globo", edição de 07 de outubro de 1984, sob o título: "Julgamento da Revolução".)"Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada". Editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal "
31/03/64 – FOLHA DA TARDE – (Do editorial, A GRANDE AMEAÇA)"... cuja subversão além de bloquear os dispositivos de segurança de todo o hemisfério , lançaria nas garras do totalitarismo vermelho, a maior população latina do mundo ..."
31/03/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, BASTA!): "O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!"
31/02/64 – JORNAL DO BRASIL – "Quem quisesse preparar um Brasil nitidamente comunista não agiria de maneira tão fulminante quanto a do Sr. João Goulart a partir do comício de 13 de março..."
1o/04/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, FORA!): "Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!"
1o/04/64 – ESTADO DE SÃO PAULO – (SÃO PAULO REPETE 32) "Minas desta vez está conosco"... "dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições."
02/04/64 – O GLOBO – "Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada"... "atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso... as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal".
02/04/64 – CORREIO DA MANHÃ – "Lacerda anuncia volta do país à democracia."
05/04/64 – O GLOBO – "A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista".
05/04/64 – O ESTADO DE MINAS – "Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos". "Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria."
06/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "PONTES DE MIRANDA diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la!"
09/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Congresso concorda em aprovar Ato Institucional".
10/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Partidos asseguram a eleição do General Castelo Branco".
16/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Rio festeja a posse de Castelo".
18/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Castelo garante o funcionamento da Justiça".
21/04/64 – JORNAL DO BRASIL – "Castelo diminui nível de aumento aos militares". Corte propõe aumento aos militares com 50% menos do que tabela anterior".
07/10/1984 – O GLOBO – (Do editorial, JULGAMENTO DA REVOLUÇÃO) "...Sem o povo não haveria revolução, mas apenas um "pronunciamento" ou "golpe" com o qual não estaríamos solidários". "... nos meses dramáticos de 1968 em que a intensificação dos atos de terrorismo provocou a implantação do AI-5." "...na expansão econômica de 1969 a 1972, quando o produto nacional bruto cresceu à taxa média anual de 10%..." "...naquele primeiro decênio revolucionário, a inflação decrescerá de 96% para 12% ao ano, elevando-se as exportações anuais de 1 bilhão e 300 mil dólares para mais de 12 bilhões de dólares". "... elevando a produção de petróleo de 175 mil para 500 mil barris diários e a de álcool de 680 milhões para 8 bilhões de litros, e simultaneamente aumentar a fabricação industrial em 85%, expandir a área plantada para produção de alimentos com 90 milhões de hectares a mais, criar 13 milhões de novos empregos, assegurar a presença de mais de 10 milhões de estudantes nos bancos escolares, ampliar a população economicamente ativa de 25 milhões para 45 milhões elevando as exportações anuais de 12 bilhões para 22 bilhões de dólares". "... há que se reconhecer um avanço impressionante: em 1964 éramos a quadragésima nona economia mundial, com uma população de 80 milhões de pessoas e renda per capita de 900 dólares; somos hoje a oitava, com uma população de 130 milhões de pessoas, e uma renda média per capita de 2500 dólares". "...Não há memória de que haja ocorrido aqui, ou em qualquer outro país, que um regime de força consolidado há mais de dez anos, se tenha utilizado do seu próprio arbítrio para se auto limitar, extingüindo-se os poderes de exceção, anistiando adversários, ensejando novos quadros partidários, em plena liberdade de imprensa. É esse, indubitavelmente, o maior feito da Revolução de 1964".
Mais algumas manchetes:
Envie sua contribuição para enriquecer essa pesquisa!
Pesquisa: Clarissa Pont
Encontra-se em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15896&alterarHomeAtual=1
Folha de São Paulo, 22 de setembro de 1971 - Editorial de Octávio Frias de Oliveira:
"Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não
compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de
maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável,
respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil
pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social -
realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo
reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se
alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente
erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o
sentimento deste.”
Folha de São Paulo, 17 de fevereiro de 2009: "As chamadas "ditabrandas" - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça".
terça-feira, fevereiro 17, 2009
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
OBAMA PRESSIONA LULA A ENTREGAR O PRÉ-SAL A EMPRESAS ANGLO SAXÔNICAS
AEPET - 30/1/2009
O presidente da AEPET, Fernando Leite Siqueira, foi informado, por uma
importante fonte, sobre uma conversa telefônica (cerca de 30 minutos)
entre os presidentes Barack Obama (EUA) e Luiz Inácio Lula da Silva
(Brasil) a respeito do setor petrolífero brasileiro. Segundo a fonte, a
ligação foi de iniciativa do presidente norte-americano, que pressionou
o presidente Lula para que o governo brasileiro suspenda os estudos para
mudanças no atual marco regulatório (Lei 9478/97), empreendidos pela
comissão interministerial, e entregue o pré-sal para um consócio de
empresas petrolíferas anglo-saxônicas, sob liderança das empresas
norte-americanas. A Petrobrás participaria do consórcio como sócia
minoritária. A nação brasileira não pode aceitar tamanho absurdo. O
pré-sal é da União Federal, logo, do povo brasileiro. (Assessoria de
Imprensa da AEPET)
O presidente da AEPET, Fernando Leite Siqueira, foi informado, por uma
importante fonte, sobre uma conversa telefônica (cerca de 30 minutos)
entre os presidentes Barack Obama (EUA) e Luiz Inácio Lula da Silva
(Brasil) a respeito do setor petrolífero brasileiro. Segundo a fonte, a
ligação foi de iniciativa do presidente norte-americano, que pressionou
o presidente Lula para que o governo brasileiro suspenda os estudos para
mudanças no atual marco regulatório (Lei 9478/97), empreendidos pela
comissão interministerial, e entregue o pré-sal para um consócio de
empresas petrolíferas anglo-saxônicas, sob liderança das empresas
norte-americanas. A Petrobrás participaria do consórcio como sócia
minoritária. A nação brasileira não pode aceitar tamanho absurdo. O
pré-sal é da União Federal, logo, do povo brasileiro. (Assessoria de
Imprensa da AEPET)
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Férias na Venezuela
Pois é. Estou na Venezuela curtindo minhas merecidas férias e assistindo de "camarote" a esse processo. Nada programado, pura coincidência. Na última hora consegui milhas smiles e estou aqui resgatando um sonho de conhecer ao Caribe venezuelano. Posso testemunhar que a popularidade de Chaves é impressionante e, com certeza, não é só ele que "quer mais dez", o povo também quer. Tenho conversado com taxistas, garçons, guias turísticos, camareiras, passei por favelas. Pasmem, a gasolina aqui custa 10 centavos de dólar e isso se reflete no número de carros em excesso. Quem lucrava antes com o petróleo? Bingo para quem pensou nos EUA e na burguesia local. O apoio de Fidel e Rafael Correa é muito bem visto. Os médicos cubanos estão espalhados pelas favelas de Caracas para atender a população carente e aos milhares de peruanos, colombianos dentre outros que aqui se refugiam em busca de melhores dias. Encontrei até argentinos.
Democracia também é isso. É aceitar que cada nação escolha seu próprio caminho. Assisti a uma entrevista de Rafael Correa onde, em apoio a Chaves, mandava um recado aos "imperialistas" dizendo "- Nos deixem em paz". O que não é democrático é mandar tropas para o Iraque, Haiti ou manter uma base militar em Guantanamo, à revelia de seu povo. Na Inglaterra tem rainha e tem gente que diz que isso é democracia. Bush governou por 8 anos numa "eleição" (sic) fraudada e tem gente que diz que isso é democracia.. . Fala sério...
Adelaide
de Caracas
Democracia também é isso. É aceitar que cada nação escolha seu próprio caminho. Assisti a uma entrevista de Rafael Correa onde, em apoio a Chaves, mandava um recado aos "imperialistas" dizendo "- Nos deixem em paz". O que não é democrático é mandar tropas para o Iraque, Haiti ou manter uma base militar em Guantanamo, à revelia de seu povo. Na Inglaterra tem rainha e tem gente que diz que isso é democracia. Bush governou por 8 anos numa "eleição" (sic) fraudada e tem gente que diz que isso é democracia.. . Fala sério...
Adelaide
de Caracas
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Sarau - "PALESTINA LIVRE"
Muito se tem visto, lido e ouvido pelos meios de comunicação de massa mundiais os horrores dos bombardeios israelenses sobre o povo palestino, homens, mulheres e crianças que vivem confinados na Faixa de Gaza, pequeno território de 360 Km2, pequeno para uma população de mais de 1 milhão e trezentos mil palestinos que lá vivem, cercada pelo território de Israel a norte e leste, ao sul pelo Egito e a oeste banhado pelo Mar Mediterrâneo.
Quer conhecer mais sobre a história e a cultura do povo palestino, compareça no Sarau "PALESTINA LIVRE" que o Coletivo Libertário Trinca estará promovendo no dia 14/02/09, das 16 às 22 horas, na sub-sede da APEOESP de Mogi das Cruzes - Rua Hamilton Silva e Costa, nº 427 - Mogilar.
Teremos no início uma roda de conversa com refugiados palestinos no Brasil, para melhor entendermos a difícil realidade dos refugiados e depois haverão apresentações de música, dança, poesia, fotografias, vídeos e ainda se poderá saborear um pouco da culinária palestina.
Objetivo
O objetivo do Coletivo Libertário Trinca com a realização do Sarau, além de denunciar o descaso dos governos para com os refugiados, é proporcionar aos brasileiros a oportunidade de conhecer de perto a realidade dos refugiados palestinos, especialmente os que vivem hoje em Mogi das Cruzes, e principalmente, proporcionar aos brasileiros a oportunidade de cada um de nós perceber de que forma podemos ajudá-los na difícil adaptação em terras tão distantes e de cultura e idioma tão diferentes e, mais do que isso, de que forma podemos nos engajar na sua luta a partir do conhecimento da sua causa.
COMPAREÇA.
Quer conhecer mais sobre a história e a cultura do povo palestino, compareça no Sarau "PALESTINA LIVRE" que o Coletivo Libertário Trinca estará promovendo no dia 14/02/09, das 16 às 22 horas, na sub-sede da APEOESP de Mogi das Cruzes - Rua Hamilton Silva e Costa, nº 427 - Mogilar.
Teremos no início uma roda de conversa com refugiados palestinos no Brasil, para melhor entendermos a difícil realidade dos refugiados e depois haverão apresentações de música, dança, poesia, fotografias, vídeos e ainda se poderá saborear um pouco da culinária palestina.
Objetivo
O objetivo do Coletivo Libertário Trinca com a realização do Sarau, além de denunciar o descaso dos governos para com os refugiados, é proporcionar aos brasileiros a oportunidade de conhecer de perto a realidade dos refugiados palestinos, especialmente os que vivem hoje em Mogi das Cruzes, e principalmente, proporcionar aos brasileiros a oportunidade de cada um de nós perceber de que forma podemos ajudá-los na difícil adaptação em terras tão distantes e de cultura e idioma tão diferentes e, mais do que isso, de que forma podemos nos engajar na sua luta a partir do conhecimento da sua causa.
COMPAREÇA.
domingo, fevereiro 01, 2009
EVENTO: Sarau "PALESTINA LIVRE"
Convite aos amigos
Se vocês querem saber mais sobre a história do povo palestino e prestar apoio e solidariedade à causa desse sofrido povo que, expulso de sua pátria, pela violência das armas do estado israelense, vive como refugiado pelo mundo e até mesmo em sua própria terra, compareça ao Sarau "PALESTINA LIVRE", organizado pelo Coletivo Libertário Trinca.
Dia 14 de Fevereiro, sábado, na APEOESP de Mogi das Cruzes, das 16 às 22 horas.
O sarau terá música, poesia, comida e vídeos palestinos e ainda bar, debate com refugiados palestinos e exposição de fotos gentilmente cedidas pela fotógrafa inglesa Jennifer Balcombe, feitas na Faixa de Gaza.
Participe! Ajude esta luta!
APEOESP Mogi das Cruzes
Rua Hamilton Silva Costa, 427, Mogilar, Mogi das Cruzes - SP (Essa rua começa na passagem de nivel das estação CPTM de Mogi das Cruzes e segue sentido bairro Mogilar)
organização: Coletivo Libertário Trinca
Se vocês querem saber mais sobre a história do povo palestino e prestar apoio e solidariedade à causa desse sofrido povo que, expulso de sua pátria, pela violência das armas do estado israelense, vive como refugiado pelo mundo e até mesmo em sua própria terra, compareça ao Sarau "PALESTINA LIVRE", organizado pelo Coletivo Libertário Trinca.
Dia 14 de Fevereiro, sábado, na APEOESP de Mogi das Cruzes, das 16 às 22 horas.
O sarau terá música, poesia, comida e vídeos palestinos e ainda bar, debate com refugiados palestinos e exposição de fotos gentilmente cedidas pela fotógrafa inglesa Jennifer Balcombe, feitas na Faixa de Gaza.
Participe! Ajude esta luta!
APEOESP Mogi das Cruzes
Rua Hamilton Silva Costa, 427, Mogilar, Mogi das Cruzes - SP (Essa rua começa na passagem de nivel das estação CPTM de Mogi das Cruzes e segue sentido bairro Mogilar)
organização: Coletivo Libertário Trinca
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Atividade em prol da causa palestina

Segue o blog Liberdade Palestina - uma mídia alternativa sobre o conflito
em Gaza, organizada pelo Coletivo Trinca. Temos um programa de rádio
organizado pelo nosso companheiro Wagner, no blog.
Acessem! E ajudem a divulgar!
Abração!
http://liberdadepalestina.blogspot.com/
http://coletivotrinca.wordpress.com/
No dia 14 de fevereiro de 2009, das 16:00h às 22:00h, haverá um sarau em
pról da causa Palestina, na sub-sede da APEOESP de Mogi das Cruzes, que fica na Rua
Hamilton Silva Costa, 427, Mogilar, tanto para divulgar a bela cultura palestina como para trazer à tona a discussão sobre a causa e também para apoiar os palestinos residentes em Mogi das Cruzes, que não têm recebido o apoio devido por parte das autoridades da cidade.
Entrada gratuita!
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Viva o Povo Palestino e o Hamas!
As terras onde hoje está o estado de Israel, foi até sessenta anos atrás a pátria dos palestinos. Israel, com o apoio dos Estados Unidos, nestes últimos sessenta anos, desde que expulsou os palestinos de suas terras para delas apropriar-se e fundar o estado israelense, vem, covardemente através da força, confinando o povo palestino cada vez mais, num espaço cada vez menor, ou seja, na chamada “Faixa de Gaza”, com 365 km2, onde se amontoam mais de 1 milhão e quinhentos mil pessoas.
As notícias divulgadas pela grande mídia atribuem ao Hamas a culpa pelo conflito, mas a verdade é que o Hamas jamais teria sido criado se não fosse a necessidade de defender em armas a vida do povo palestino da crueldade dos governos israelenses que se sucederam, sempre expulsando de forma violenta, utilizando seu poderoso aparato bélico, os palestinos de suas terras e destruindo suas casas utilizando enormes tratores, mesmo com as famílias dentro.
Sentiu o drama, a tragédia do povo palestino? Então. O que você faria se estivesse no lugar de qualquer um dos palestinos que hoje vive na faixa de gaza e não tivesse a menor condição de fugir do poderio bélico israelo/estadunidense? Esperaria a morte chegar passivamente ou enfrentaria as forças de Israel?
As notícias divulgadas pela grande mídia atribuem ao Hamas a culpa pelo conflito, mas a verdade é que o Hamas jamais teria sido criado se não fosse a necessidade de defender em armas a vida do povo palestino da crueldade dos governos israelenses que se sucederam, sempre expulsando de forma violenta, utilizando seu poderoso aparato bélico, os palestinos de suas terras e destruindo suas casas utilizando enormes tratores, mesmo com as famílias dentro.
Sentiu o drama, a tragédia do povo palestino? Então. O que você faria se estivesse no lugar de qualquer um dos palestinos que hoje vive na faixa de gaza e não tivesse a menor condição de fugir do poderio bélico israelo/estadunidense? Esperaria a morte chegar passivamente ou enfrentaria as forças de Israel?
terça-feira, dezembro 09, 2008
Outra visão sobre a crise - O Mundo em que vivemos
Tomei a liberdade, de reproduzir aqui o texto que segue abaixo que recebi por e-mail. Não conheço o autor, mas nem precisa, vocês verão o por que.
Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.
"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.
Se quiser, repasse, se não, o que importa? O nosso almoço tá garantido mesmo..."
Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.
"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.
Se quiser, repasse, se não, o que importa? O nosso almoço tá garantido mesmo..."
quinta-feira, setembro 25, 2008
Greve SIM, por tempo indeterminado e não de um só dia, palanque eleitoral NÃO
Vamos sim fazer a greve, e não só no dia 30, mas A PARTIR DO DIA 30, POR TEMPO INDETERMINADO, porque precisamos e porque essa luta é nossa e só nossa, e não dos sindicalistas da contraf/cut. Mas, mando aqui um ALERTA, vamos fazer a greve com a convicção de não deixar que a usem de palanque político para as próximas eleições municipais; porque, me parece que é isso que os "AMIGOS DO REI" da Contraf/CUT(PT) querem, uma vez que estão propondo apenas uma paralisação de um dia, no dia 30. Não vamos deixar que eles nos usem de massa anencéfala.
PORTANTO, A ÚNICA FORMA DE EVITARMOS SER USADOS É VOTARMOS NAS ASSEMBLÉIAS CONTRA A PROPOSTA DA CONTRAF DE PARALISAÇÃO DE UM SÓ DIA E A FAVOR DA GREVE POR TEMPO INDETERMINADO.
SE A GREVE FOR DE UM SÓ DIA, SERÁ UM BELO PALANQUE ELEITORAL PARA POLÍTICOS OPORTUNISTAS.
À LUTA, BANCÁRIOS, COM ESSA CONSCIÊNCIA!
PORTANTO, A ÚNICA FORMA DE EVITARMOS SER USADOS É VOTARMOS NAS ASSEMBLÉIAS CONTRA A PROPOSTA DA CONTRAF DE PARALISAÇÃO DE UM SÓ DIA E A FAVOR DA GREVE POR TEMPO INDETERMINADO.
SE A GREVE FOR DE UM SÓ DIA, SERÁ UM BELO PALANQUE ELEITORAL PARA POLÍTICOS OPORTUNISTAS.
À LUTA, BANCÁRIOS, COM ESSA CONSCIÊNCIA!
segunda-feira, setembro 01, 2008
Mudança no abaixo assinado contra o novo PCS da Caixa
Colegas e Companheiros da Caixa Econômica Federal
Cancelei o endereço onde estava hospedado o abaixo assinado contra o
PCS 2008 da CEF e criei um novo, com um novo texto, mais enxuto e
melhor elaborado.
O endereço do novo abaixo assinado na internet é
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1194. Entendo que não
haverá nenhum prejuízo esse cancelamento porque o antigo não havia
sido divulgado amplamente e, portanto, poucas pessoas estavam sabendo
da existência do mesmo.
Por favor, acessem, assinem e principalmente divulguem o máximo que
puderem aos colegas na Caixa.
Este abaixo assinado tem o objetivo de ser mais que uma simples
manifestação de discordância com as regras do novo PCS, mas também, um
documento de preservação de direitos perante a justiça do trabalho aos
colegas que aderiram ao novo PCS.
abraços a todos
Mauro Rodrigues de Aguiar
delegado sindical
ag. Mogi das Cruzes/SP
Segue abaixo o teor do novo abaixo assinado que está no site.
Nós, abaixo assinados, funcionários da Caixa Econômica Federal,
repudiamos o conteúdo e a forma como foi imposto o novo modelo de
Plano de Cargos e Salários, em especial, as cláusulas que obrigam os
participantes do Plano de Benefícios da FUNCEF Reg/Replan a aderirem
ao plano de saldamento do mesmo como condição inegociável para adesão
dos funcionários ao novo PCS e as cláusulas que impõem aos
funcionários a renúncia a ações judiciais referentes aos PCS 89, 98 e
o Atual.
Sendo assim, queremos deixar claro que reservamo-nos o direito de
entrar com ações judiciais a qualquer tempo, independentemente de
aderirmos ou não ao novo PCS, com base no preceito constitucional
inserido no artigo 5º, inciso XXXVI ("a lei não prejudicará o direito
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada") e no artigo 468
da Consolidação das Leis do Trabalho ("nos contratos individuais de
trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo
consentimento, e, ainda assim, desde que Não resultem, direta ou
indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da
cláusula infringente dessa garantia).
Cancelei o endereço onde estava hospedado o abaixo assinado contra o
PCS 2008 da CEF e criei um novo, com um novo texto, mais enxuto e
melhor elaborado.
O endereço do novo abaixo assinado na internet é
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1194. Entendo que não
haverá nenhum prejuízo esse cancelamento porque o antigo não havia
sido divulgado amplamente e, portanto, poucas pessoas estavam sabendo
da existência do mesmo.
Por favor, acessem, assinem e principalmente divulguem o máximo que
puderem aos colegas na Caixa.
Este abaixo assinado tem o objetivo de ser mais que uma simples
manifestação de discordância com as regras do novo PCS, mas também, um
documento de preservação de direitos perante a justiça do trabalho aos
colegas que aderiram ao novo PCS.
abraços a todos
Mauro Rodrigues de Aguiar
delegado sindical
ag. Mogi das Cruzes/SP
Segue abaixo o teor do novo abaixo assinado que está no site.
Nós, abaixo assinados, funcionários da Caixa Econômica Federal,
repudiamos o conteúdo e a forma como foi imposto o novo modelo de
Plano de Cargos e Salários, em especial, as cláusulas que obrigam os
participantes do Plano de Benefícios da FUNCEF Reg/Replan a aderirem
ao plano de saldamento do mesmo como condição inegociável para adesão
dos funcionários ao novo PCS e as cláusulas que impõem aos
funcionários a renúncia a ações judiciais referentes aos PCS 89, 98 e
o Atual.
Sendo assim, queremos deixar claro que reservamo-nos o direito de
entrar com ações judiciais a qualquer tempo, independentemente de
aderirmos ou não ao novo PCS, com base no preceito constitucional
inserido no artigo 5º, inciso XXXVI ("a lei não prejudicará o direito
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada") e no artigo 468
da Consolidação das Leis do Trabalho ("nos contratos individuais de
trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo
consentimento, e, ainda assim, desde que Não resultem, direta ou
indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da
cláusula infringente dessa garantia).
domingo, março 23, 2008
Quem bloqueia internet em Cuba é os Estados Unidos e não o governo Cubano
Internet em Cuba
Por Amaury del Valle 23/03/2008 às 09:59
Numa violação crua e real, a Casa Branca impediu a importação direta de computadores produzidos pelos maiores fabricantes...
Estados Unidos bloqueiam Internet em Cuba
A largura de banda «autorizada» à Cuba pela Casa Branca para a conexão à rede de redes é quase igual ao de muitas empresas e inclusive particulares que possuem banda larga em outros países do mundo.
Por: Amaury E. del Valle
( nacional@jrebeldeSEMSPAMSEMSPAM.cip.cu)
Um estudo divulgado recentemente pela revista PCWorld sobre a conexão a Internet em diversos países, afirma que muitos usuários particulares têm acesso hoje mediante pagamento a largura de banda que em ocasiões superam os cem megabytes por segundo (Mbps), graças à extensão das conexões de alta velocidade e a fibra óptica.
Assim, em países como Austrália, Bangladesh, Reino Unido, Itália ou Estados Unidos, as pessoas podem aceder a um serviço de alta velocidade (DSL) com uma velocidade de transferência direta de até 24 megabites por segundo, e inclusive em Noruega ou Japão, por exemplo, alguns usuários particulares têm já conexões de fibra óptica tão rápidas que ultrapassam os cem Mbps.
Indubitavelmente, esta possibilidade de «descarregar» ou «subir» informação desde ou para Internet possibilitou o desenvolvimento de novas prestações como a televisão digital ou a transferência de películas, e no mundo científico facilitou efetuar experimentos on line e até transmitir operações ao vivo. O grande paradoxo do anterior é que um só usuário corporativo ou inclusive particular, em Europa, Ásia ou Estados Unidos, tem hoje uma velocidade de conexão à rede de redes maior que a que tem Cuba, um país com mais de onze milhões de habitantes, que mal tem autorizados, via satélite, para Internet 65 Mbps[1] de largo de banda para a saída e 124 Mbps para a entrada.
De fato, apesar de que Cuba conta hoje com acesso a Internet, esta «autorização» para conectar-se a ela a deu, como se fosse uma dádiva, o governo norte-americano em 1996, e não por boa vontade, senão para explodir a web como uma via mais para promover a subversão interna, o terrorismo e as pressões contra a Revolução.
Desde o surgimento de Internet, Estados Unidos tem torpedeado o acesso de Cuba à rede informática mundial, e ao mesmo tempo desatou uma feroz campanha contra a Revolução acusando-a de não dar liberdade de conexão à mesma. Em realidade, por culpa das leis do bloqueio, o país não pode conectar-se aos canais internacionais de fibra óptica que passam bem perto de suas costas, e tem que o fazer via satélite, o que é mais caro e limita consideravelmente este recurso. Ademais, cada vez que Cuba tenta adicionar um novo canal a Internet, a contraparte estadounidense deve obter a licença apropriada do Departamento do Tesouro de Estados Unidos.
De modo similar, se uma companhia norte-americana quer abrir-lhe um novo canal a Cuba ou decide aumentar a velocidade da conexão, igualmente deve expedir-se uma licença. Isso explica o por que da «estreiteza de banda» que temos os cubanos, pela política hostil do governo norte-americano, e também porque, ante esta realidade, a nação decidiu priorizar a conexão à rede de maneira organizada para garantir um uso social da mesma, e que possa ser utilizada adequadamente por médicos, cientistas, estudantes, profissionais, personalidades da Cultura, empresas, centros de investigação e muitos mais. Esta estratégia, reconhecida por organismos internacionais como um modelo a seguir pelos países em desenvolvimento, possibilitou que hoje existam mais de 1 370 lugares virtuais sob o .cu, 940 000 usuários de correio eletrônico e outros 219 000 de Internet, tudo o qual se multiplica em centos de mais milhares se se tem em conta o caráter social de muitas destas facilidades, que permite que um mesmo ponto de conexão seja utilizado por várias pessoas, ao igual que sucede com uma conta de correio eletrônico.
CERCO BRUTAL
Apesar de toda sua propaganda a favor do desenvolvimento tecnológico para diminuir a brecha digital e do livre acesso às novas tecnologias, os governos norte-americanos bloquearam o acesso de Cuba a estas ou entorpecido seu uso durante décadas, desde o próprio triunfo da Revolução.
Numa violação crua e real, a Casa Branca impediu a importação direta de computadores produzidos pelos maiores fabricantes mundiais destes dispositivos, como Intel, Hewlett Packard, IBM ou Macquintosh. Inclusive, para obter uma delas, o país deve pagar até um 30 por cento mais de seu valor real, ao não poder ser adquirida diretamente em seu maior mercado mundial, Estados Unidos, e ter que pagar altas tarifas de transportación por comprá-las longe.
O bloqueio do acesso às novas tecnologias é duplamente duro por ser precisamente EE.UU. o emporio mundial da tecnologia informática e quem exerce um controle hegemônico sobre a rede de redes, pois em seu solo estão os maiores servidores de Internet. Por se fora pouco, é a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers ICAN, a que provê de direções IP e nomes ao resto do mundo, a que, apesar de ser segundo pregam «uma organização não governamental sem fins de lucro», está sujeita às leis do Escritório Federal para as Comunicações e ao Departamento de Estado de Estados Unidos.
A isto há que lhe agregar que o império norte-americano controla o 50 por cento dos satélites de comunicação e o 75 por cento da rede Internet. Produz o 60 por cento do software de uso mundial e uma só companhia, Microsoft, domina com Windows, o sistema operativo instalado em mais do 90 por cento dos computadores pessoais. o caso da web, o 40 por cento dos navegantes se concentram neste país, e o 80 por cento dos conteúdos difundidos nas páginas web estão em inglês. Igualmente dominam o 85 por cento do comércio eletrônico.
Não é de estranhar então que Estados Unidos tente por todos os meios alçar-se como o paladino da liberdade de expressão e conexão a Internet, pois em realidade procura vender o «modo de vida americano» e converter à rede numa mercadoria, e não no instrumento de desenvolvimento que é em realidade.
WINDOWS LIMITADO
Ademais, os cubanos não têm acesso aos principais programas informáticos, nem sequer ao sistema operativo instalado em quase o 90 por cento dos computadores do mundo: Windows.
Pelas leis do bloqueio não se pode aceder legalmente a programas informáticos de trabalho com textos, imagens, manejo de informação ou programação, tais como Microsoft Office, Adobe Photoshop, ACD See, Internet Explorer, write Express, Borland; ou a software antivirus atualizados como Norton Antivirus, Panda Antivirus ou AVP, entre outros. Por se fora pouco, também viu limitada a aquisição de routers, servidores, cabos e outros equipamentos para melhorar a infra-estrutura de suas telecomunicações, o qual atrasou e encarecido a digitalização telefônica.
Estados Unidos bloqueia sem reparos a descarga de todo tipo de programas informáticos através de Internet para nacionais cubanos, bem pessoas jurídicas ou particulares que pretendam fazer chegar essa tecnologia a solo nacional. Estas limitações são inclusive extraterritoriais, pois muitas vezes envolvem a subsidiárias norteamericanas localizadas em outros países ou a empresas que têm relações com estas.
E não contente com isto, o governo norte-americano estimula, financia e dirige o uso de Internet contra Cuba como um instrumento de desestabilização, agressão e pressão. Para isso brindou aportes monetários consideráveis para a criação e manutenção de uma série de lugares web destinados a promover a subversão interna, ou difamar sobre o que passa no país, numa vã tentativa de desprestigiar à Revolução Cubana no ciberespaço.
[1] Toda ilha tem apenas 65 Mbps de saída para Internet para uso de toda populaçao, serviços públicos, universidades, empresas, hotéis, centro de pesquisas...etc. Essa é uma forma dos informáticos, da comunidade software livre e dos cidadaos do planeta conhecerem, com propriedade, as consequências de um bloqueio econômico criminoso de quase 50 anos a Cuba. Estas desastrosas consequências para a populaçao cubana se manifestam em todas as outras áreas da vida cotidiana deste povo. O bloqueio econômico é muito mais do que um tema econômico, é um tema de direitos humanos, de justiça.
http://twiki.dcc.ufba.br/bin/view/PSL
Por Amaury del Valle 23/03/2008 às 09:59
Numa violação crua e real, a Casa Branca impediu a importação direta de computadores produzidos pelos maiores fabricantes...
Estados Unidos bloqueiam Internet em Cuba
A largura de banda «autorizada» à Cuba pela Casa Branca para a conexão à rede de redes é quase igual ao de muitas empresas e inclusive particulares que possuem banda larga em outros países do mundo.
Por: Amaury E. del Valle
( nacional@jrebeldeSEMSPAMSEMSPAM.cip.cu)
Um estudo divulgado recentemente pela revista PCWorld sobre a conexão a Internet em diversos países, afirma que muitos usuários particulares têm acesso hoje mediante pagamento a largura de banda que em ocasiões superam os cem megabytes por segundo (Mbps), graças à extensão das conexões de alta velocidade e a fibra óptica.
Assim, em países como Austrália, Bangladesh, Reino Unido, Itália ou Estados Unidos, as pessoas podem aceder a um serviço de alta velocidade (DSL) com uma velocidade de transferência direta de até 24 megabites por segundo, e inclusive em Noruega ou Japão, por exemplo, alguns usuários particulares têm já conexões de fibra óptica tão rápidas que ultrapassam os cem Mbps.
Indubitavelmente, esta possibilidade de «descarregar» ou «subir» informação desde ou para Internet possibilitou o desenvolvimento de novas prestações como a televisão digital ou a transferência de películas, e no mundo científico facilitou efetuar experimentos on line e até transmitir operações ao vivo. O grande paradoxo do anterior é que um só usuário corporativo ou inclusive particular, em Europa, Ásia ou Estados Unidos, tem hoje uma velocidade de conexão à rede de redes maior que a que tem Cuba, um país com mais de onze milhões de habitantes, que mal tem autorizados, via satélite, para Internet 65 Mbps[1] de largo de banda para a saída e 124 Mbps para a entrada.
De fato, apesar de que Cuba conta hoje com acesso a Internet, esta «autorização» para conectar-se a ela a deu, como se fosse uma dádiva, o governo norte-americano em 1996, e não por boa vontade, senão para explodir a web como uma via mais para promover a subversão interna, o terrorismo e as pressões contra a Revolução.
Desde o surgimento de Internet, Estados Unidos tem torpedeado o acesso de Cuba à rede informática mundial, e ao mesmo tempo desatou uma feroz campanha contra a Revolução acusando-a de não dar liberdade de conexão à mesma. Em realidade, por culpa das leis do bloqueio, o país não pode conectar-se aos canais internacionais de fibra óptica que passam bem perto de suas costas, e tem que o fazer via satélite, o que é mais caro e limita consideravelmente este recurso. Ademais, cada vez que Cuba tenta adicionar um novo canal a Internet, a contraparte estadounidense deve obter a licença apropriada do Departamento do Tesouro de Estados Unidos.
De modo similar, se uma companhia norte-americana quer abrir-lhe um novo canal a Cuba ou decide aumentar a velocidade da conexão, igualmente deve expedir-se uma licença. Isso explica o por que da «estreiteza de banda» que temos os cubanos, pela política hostil do governo norte-americano, e também porque, ante esta realidade, a nação decidiu priorizar a conexão à rede de maneira organizada para garantir um uso social da mesma, e que possa ser utilizada adequadamente por médicos, cientistas, estudantes, profissionais, personalidades da Cultura, empresas, centros de investigação e muitos mais. Esta estratégia, reconhecida por organismos internacionais como um modelo a seguir pelos países em desenvolvimento, possibilitou que hoje existam mais de 1 370 lugares virtuais sob o .cu, 940 000 usuários de correio eletrônico e outros 219 000 de Internet, tudo o qual se multiplica em centos de mais milhares se se tem em conta o caráter social de muitas destas facilidades, que permite que um mesmo ponto de conexão seja utilizado por várias pessoas, ao igual que sucede com uma conta de correio eletrônico.
CERCO BRUTAL
Apesar de toda sua propaganda a favor do desenvolvimento tecnológico para diminuir a brecha digital e do livre acesso às novas tecnologias, os governos norte-americanos bloquearam o acesso de Cuba a estas ou entorpecido seu uso durante décadas, desde o próprio triunfo da Revolução.
Numa violação crua e real, a Casa Branca impediu a importação direta de computadores produzidos pelos maiores fabricantes mundiais destes dispositivos, como Intel, Hewlett Packard, IBM ou Macquintosh. Inclusive, para obter uma delas, o país deve pagar até um 30 por cento mais de seu valor real, ao não poder ser adquirida diretamente em seu maior mercado mundial, Estados Unidos, e ter que pagar altas tarifas de transportación por comprá-las longe.
O bloqueio do acesso às novas tecnologias é duplamente duro por ser precisamente EE.UU. o emporio mundial da tecnologia informática e quem exerce um controle hegemônico sobre a rede de redes, pois em seu solo estão os maiores servidores de Internet. Por se fora pouco, é a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers ICAN, a que provê de direções IP e nomes ao resto do mundo, a que, apesar de ser segundo pregam «uma organização não governamental sem fins de lucro», está sujeita às leis do Escritório Federal para as Comunicações e ao Departamento de Estado de Estados Unidos.
A isto há que lhe agregar que o império norte-americano controla o 50 por cento dos satélites de comunicação e o 75 por cento da rede Internet. Produz o 60 por cento do software de uso mundial e uma só companhia, Microsoft, domina com Windows, o sistema operativo instalado em mais do 90 por cento dos computadores pessoais. o caso da web, o 40 por cento dos navegantes se concentram neste país, e o 80 por cento dos conteúdos difundidos nas páginas web estão em inglês. Igualmente dominam o 85 por cento do comércio eletrônico.
Não é de estranhar então que Estados Unidos tente por todos os meios alçar-se como o paladino da liberdade de expressão e conexão a Internet, pois em realidade procura vender o «modo de vida americano» e converter à rede numa mercadoria, e não no instrumento de desenvolvimento que é em realidade.
WINDOWS LIMITADO
Ademais, os cubanos não têm acesso aos principais programas informáticos, nem sequer ao sistema operativo instalado em quase o 90 por cento dos computadores do mundo: Windows.
Pelas leis do bloqueio não se pode aceder legalmente a programas informáticos de trabalho com textos, imagens, manejo de informação ou programação, tais como Microsoft Office, Adobe Photoshop, ACD See, Internet Explorer, write Express, Borland; ou a software antivirus atualizados como Norton Antivirus, Panda Antivirus ou AVP, entre outros. Por se fora pouco, também viu limitada a aquisição de routers, servidores, cabos e outros equipamentos para melhorar a infra-estrutura de suas telecomunicações, o qual atrasou e encarecido a digitalização telefônica.
Estados Unidos bloqueia sem reparos a descarga de todo tipo de programas informáticos através de Internet para nacionais cubanos, bem pessoas jurídicas ou particulares que pretendam fazer chegar essa tecnologia a solo nacional. Estas limitações são inclusive extraterritoriais, pois muitas vezes envolvem a subsidiárias norteamericanas localizadas em outros países ou a empresas que têm relações com estas.
E não contente com isto, o governo norte-americano estimula, financia e dirige o uso de Internet contra Cuba como um instrumento de desestabilização, agressão e pressão. Para isso brindou aportes monetários consideráveis para a criação e manutenção de uma série de lugares web destinados a promover a subversão interna, ou difamar sobre o que passa no país, numa vã tentativa de desprestigiar à Revolução Cubana no ciberespaço.
[1] Toda ilha tem apenas 65 Mbps de saída para Internet para uso de toda populaçao, serviços públicos, universidades, empresas, hotéis, centro de pesquisas...etc. Essa é uma forma dos informáticos, da comunidade software livre e dos cidadaos do planeta conhecerem, com propriedade, as consequências de um bloqueio econômico criminoso de quase 50 anos a Cuba. Estas desastrosas consequências para a populaçao cubana se manifestam em todas as outras áreas da vida cotidiana deste povo. O bloqueio econômico é muito mais do que um tema econômico, é um tema de direitos humanos, de justiça.
http://twiki.dcc.ufba.br/bin/view/PSL
terça-feira, março 18, 2008
Como dizia o velho profeta barbudo...
Quem é louco?
Há 5 nos, nos chamavam de loucos. "Mas que absurdo, o mercado não pode estar em crise, o capital está se expandindo, as empresas nunca lucraram tanto, o sistema nunca foi tão forte. Daonde vocês tiraram essa sandice?"
Não fomos nós. Foi o velho profeta barbudo, Karl Marx, que ao estudar a dinâmica do capitalismo, demonstrou logicamente que esta sociedade, a sociedade produtora de mercadorias, não é eterna nem tampouco natural (como querem crer os economistas que pensam que o homem das cavernas já trocava mercadorias). Como todas as civilizações, ela tem nascimento, desenvolvimento, apogeu, decadência e desaparição.
O que é o capitalismo? Sociedade produtora de mercadorias. Todos os bens são produzidos e distribuídos na forma de mercadoria. Tudo vira mercadoria, principalmente a terra, os instrumentos de produção sociais e a força de trabalho (isso mesmo, nós proletários, os homens-mercadoria despojados de qualquer propriedade de meios de produção e por isso coagidos a vender nossa força de trabalho, nosso tempo e nossa vida para empresas em troca de um mísero salário). Nem um pãozinho pode ser de graça. Nenhum trabalho pode ser social. Tudo se troca, tudo se compra, tudo se vende. E o drama pior: como temos que vender nossa força de trabalho, quem dela se apropria, nos paga um salário, mas na verdade, produzimos muito mais do que ganhamos em termos de valor. Esse “mais-valor” (a famigerada-mais-valia) é o rabo do cachorro: é o que o faz ficar dando voltas e tentando se abocanhar, num fim em si mesmo irracional. É o motor do desenvolvimento econômico, do turbilhão que devasta os recursos naturais, explora e empobrece bilhões de pessoas, para produzir cada vez mais mercadorias, para aumentar a produção. Produzir por produzir. Mesmo que isso signifique condenar metade da humanidade à miséria do desemprego, outra metade à exploração, e destruir o meio ambiente ameaçando a vida na terra. Sufocar as crianças em pilhas de lixo. E inventar a figura do “mendigo ecológico” que vive do lixo como exemplo de empreendedorismo.
Mas será isso tudo infinito? Além dos limites naturais, essa sociedade também possui seus limites lógicos internos. Para existir, ela precisa sempre se expandir. Parar este movimento significa o colapso. Mas este crescimento tem também seus limites, por algumas razões.
A lógica empresarial é a da concorrência e redução de custos. Isso significa produzir as mercadorias em tempo cada vez menor, com um uso cada vez maior de trabalho morto (máquinas) e menor de trabalho vivo (assalariados). Só que só o trabalho vivo, assalariado, é que pode ser explorado e gerar mais valor do que ele recebe como salário. Isso significa que o aumento do trabalho morto em relação ao trabalho vivo reduz a geração de novo valor a nível global. O número de assalariados aumenta, mas o “trabalho morto” aumenta mais ainda. O valor explorado dos trabalhadores aumenta, mas em proporções cada vez menores. Os lucros crescem cada vez menos e a taxa geral de lucros vai despencando. Cria-se um imenso desemprego. E os que trabalham são cada vez mais explorados.
É claro, esse movimento não é linear. Com crédito, monopólios, ação do Estado, guerras, as empresas conseguem ciclicamente elevar de novo a taxa de lucro. Mas, ao longo da história do capitalismo, a taxa de lucro historicamente despenca, numa tendência inexorável.
Isso significa que o sistema produtor de mercadorias tem limites lógicos. Mas o que seria a atual crise?
Desde 1992, com o colapso do capitalismo de estado do Leste, inaugura-se uma crise geral. O Japão logo quebra em 1992, os Tigres Asiáticos em 1997, o mercado financeiro em 2001. Mas estas crises são atenuadas, pois os EUA compram a superprodução (excedente invendável) destes países e assim, sustentam sua economia. Vide que os EUA compram a maior parte da produção chinesa. Mas isso tem um custo: dar injeções de ar no consumo interno americano. Eis a panacéia do Capital: o sistema de crédito! Financiar consumo com endividamento, financiar produção, que gera capital fictício, números estratosféricos nas bolsas, mas com cada vez menos realidade material. E tudo isso mantido com uma exploração cada vez maior da força de trabalho e fim dos direitos trabalhistas. China é o exemplo!
Mas esta bolha toda tem limites. O sistema de crédito não é infinito, uma hora a realidade cobra caro da ficção. Os EUA financiavam o consumo com hipotecas das casas, numa imensa bolha imobiliária, que acabou de estourar. Com o estouro do sistema de crédito, o pneu furou. O consumo interno dos EUA quebra, e eles param de comprar a produção mundial. China, Índia, Brasil, países exportadores de petróleo (inclusive a Venezuela) vão de rodamoinho junto numa crise global.
As conseqüências desta crise não são previstas ainda. O capitalismo não vai acabar da noite pro dia. Podemos esperar: mais desemprego, salários piores, mais violência, mais guerras, menos direitos trabalhistas, mais exploração e opressão, mais despejos. A reprodução do capitalismo vai ficar cada vez mais difícil. Mas já é hora da humanidade perceber que o mundo não é uma mercadoria, e colocar um limite histórico no autômato enlouquecido do Capital.
Também não resolverá a ação dos Estados, uma vez que com a crise da produção de valor, os Estados Nacionais, que se alimentam e se mantém justamente desse valor, na forma de impostos, entram em crise de financiamento, colapso e são desmontados. Não há saídas para este processo pela via institucional nem pelos seus partidos direcionados à tomada do poder estatal. Mais facilmente as guerras civis urbanas levam os Estados à decomposição, do que se pode esperar uma ação estatal que supere a crise.
Este processo também não significa em hipótese nenhuma que estamos diante de uma nova sociedade emancipada. Pelo contrário, estamos às portas de uma barbárie sem precedentes, e aqui o socialismo se apresenta não como uma utopia, mas como a ação mais realista possível. A humanidade não tem mais nada a perder. Não há mais justificativa, quando se tem meios tecnológicos de uma produtividade brutal, se trabalhar tanto e ainda haver desemprego e miséria. E não há justificativa em se produzir muito mais do que se consome, enquanto há fome e miséria. É preciso reinventar o espectro do comunismo, e erguer uma contestação global contra a ditadura totalitária da mercadoria.
Paulo Marques
Há 5 nos, nos chamavam de loucos. "Mas que absurdo, o mercado não pode estar em crise, o capital está se expandindo, as empresas nunca lucraram tanto, o sistema nunca foi tão forte. Daonde vocês tiraram essa sandice?"
Não fomos nós. Foi o velho profeta barbudo, Karl Marx, que ao estudar a dinâmica do capitalismo, demonstrou logicamente que esta sociedade, a sociedade produtora de mercadorias, não é eterna nem tampouco natural (como querem crer os economistas que pensam que o homem das cavernas já trocava mercadorias). Como todas as civilizações, ela tem nascimento, desenvolvimento, apogeu, decadência e desaparição.
O que é o capitalismo? Sociedade produtora de mercadorias. Todos os bens são produzidos e distribuídos na forma de mercadoria. Tudo vira mercadoria, principalmente a terra, os instrumentos de produção sociais e a força de trabalho (isso mesmo, nós proletários, os homens-mercadoria despojados de qualquer propriedade de meios de produção e por isso coagidos a vender nossa força de trabalho, nosso tempo e nossa vida para empresas em troca de um mísero salário). Nem um pãozinho pode ser de graça. Nenhum trabalho pode ser social. Tudo se troca, tudo se compra, tudo se vende. E o drama pior: como temos que vender nossa força de trabalho, quem dela se apropria, nos paga um salário, mas na verdade, produzimos muito mais do que ganhamos em termos de valor. Esse “mais-valor” (a famigerada-mais-valia) é o rabo do cachorro: é o que o faz ficar dando voltas e tentando se abocanhar, num fim em si mesmo irracional. É o motor do desenvolvimento econômico, do turbilhão que devasta os recursos naturais, explora e empobrece bilhões de pessoas, para produzir cada vez mais mercadorias, para aumentar a produção. Produzir por produzir. Mesmo que isso signifique condenar metade da humanidade à miséria do desemprego, outra metade à exploração, e destruir o meio ambiente ameaçando a vida na terra. Sufocar as crianças em pilhas de lixo. E inventar a figura do “mendigo ecológico” que vive do lixo como exemplo de empreendedorismo.
Mas será isso tudo infinito? Além dos limites naturais, essa sociedade também possui seus limites lógicos internos. Para existir, ela precisa sempre se expandir. Parar este movimento significa o colapso. Mas este crescimento tem também seus limites, por algumas razões.
A lógica empresarial é a da concorrência e redução de custos. Isso significa produzir as mercadorias em tempo cada vez menor, com um uso cada vez maior de trabalho morto (máquinas) e menor de trabalho vivo (assalariados). Só que só o trabalho vivo, assalariado, é que pode ser explorado e gerar mais valor do que ele recebe como salário. Isso significa que o aumento do trabalho morto em relação ao trabalho vivo reduz a geração de novo valor a nível global. O número de assalariados aumenta, mas o “trabalho morto” aumenta mais ainda. O valor explorado dos trabalhadores aumenta, mas em proporções cada vez menores. Os lucros crescem cada vez menos e a taxa geral de lucros vai despencando. Cria-se um imenso desemprego. E os que trabalham são cada vez mais explorados.
É claro, esse movimento não é linear. Com crédito, monopólios, ação do Estado, guerras, as empresas conseguem ciclicamente elevar de novo a taxa de lucro. Mas, ao longo da história do capitalismo, a taxa de lucro historicamente despenca, numa tendência inexorável.
Isso significa que o sistema produtor de mercadorias tem limites lógicos. Mas o que seria a atual crise?
Desde 1992, com o colapso do capitalismo de estado do Leste, inaugura-se uma crise geral. O Japão logo quebra em 1992, os Tigres Asiáticos em 1997, o mercado financeiro em 2001. Mas estas crises são atenuadas, pois os EUA compram a superprodução (excedente invendável) destes países e assim, sustentam sua economia. Vide que os EUA compram a maior parte da produção chinesa. Mas isso tem um custo: dar injeções de ar no consumo interno americano. Eis a panacéia do Capital: o sistema de crédito! Financiar consumo com endividamento, financiar produção, que gera capital fictício, números estratosféricos nas bolsas, mas com cada vez menos realidade material. E tudo isso mantido com uma exploração cada vez maior da força de trabalho e fim dos direitos trabalhistas. China é o exemplo!
Mas esta bolha toda tem limites. O sistema de crédito não é infinito, uma hora a realidade cobra caro da ficção. Os EUA financiavam o consumo com hipotecas das casas, numa imensa bolha imobiliária, que acabou de estourar. Com o estouro do sistema de crédito, o pneu furou. O consumo interno dos EUA quebra, e eles param de comprar a produção mundial. China, Índia, Brasil, países exportadores de petróleo (inclusive a Venezuela) vão de rodamoinho junto numa crise global.
As conseqüências desta crise não são previstas ainda. O capitalismo não vai acabar da noite pro dia. Podemos esperar: mais desemprego, salários piores, mais violência, mais guerras, menos direitos trabalhistas, mais exploração e opressão, mais despejos. A reprodução do capitalismo vai ficar cada vez mais difícil. Mas já é hora da humanidade perceber que o mundo não é uma mercadoria, e colocar um limite histórico no autômato enlouquecido do Capital.
Também não resolverá a ação dos Estados, uma vez que com a crise da produção de valor, os Estados Nacionais, que se alimentam e se mantém justamente desse valor, na forma de impostos, entram em crise de financiamento, colapso e são desmontados. Não há saídas para este processo pela via institucional nem pelos seus partidos direcionados à tomada do poder estatal. Mais facilmente as guerras civis urbanas levam os Estados à decomposição, do que se pode esperar uma ação estatal que supere a crise.
Este processo também não significa em hipótese nenhuma que estamos diante de uma nova sociedade emancipada. Pelo contrário, estamos às portas de uma barbárie sem precedentes, e aqui o socialismo se apresenta não como uma utopia, mas como a ação mais realista possível. A humanidade não tem mais nada a perder. Não há mais justificativa, quando se tem meios tecnológicos de uma produtividade brutal, se trabalhar tanto e ainda haver desemprego e miséria. E não há justificativa em se produzir muito mais do que se consome, enquanto há fome e miséria. É preciso reinventar o espectro do comunismo, e erguer uma contestação global contra a ditadura totalitária da mercadoria.
Paulo Marques
segunda-feira, março 03, 2008
Uribe, instrumento dos EUA na América do Sul
por La Jornada
O massacre perpetrado sábado passado pela força aérea da Colômbia na localidade equatoriana de Santa Rosa, onde foram mortos o dirigente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) Raúl Reyes e outros 18 efectivos dessa organização guerrilheira, tem uma ominosa projecção regional, pois com essa acção as autoridades de Bogotá enviaram uma mensagem inequívoca aos seus países vizinhos: o governo do presidente Álvaro Uribe considera que tem direito a levar para além das suas fronteiras a guerra que trava contra o grupo insurgente, independentemente das consequências internacionais, e inclusive talvez para converter a confrontação interna colombiana num conflito aberto com países limítrofes.
Com efeito, os insurgentes colombianos, de acordo com dados disponíveis, não foram mortos no decurso de uma perseguição ou de um combate e sim assassinados enquanto dormiam e se encontravam em território equatoriano. Não é infrequente que as organizações armadas irregulares e clandestinas transitem quando convém, e sem subterfúgios, através das linhas fronteiriças internacionais, como ocorria no sudeste asiático, como sucede hoje em dia com os combatentes curdos da Anatólia e como se passou e continuará a passar-se em tantos outros conflitos internos. Em contrapartida, os governos constituídos têm a obrigação de respeitar o território de outros países, e as normas de convivência internacional assinalam com clareza maneiras e procedimentos diplomáticas para enfrentar a presença de dissidentes armados além das suas fronteiras, sem violentar a integridade territorial e a soberania de outros países. Não é demais recordar que o próprio governo de Washington reprovou o governo turco, um dos seus aliados mais sólidos, pelas incursões militares que este realiza no Curdistão iraquiano.
O governo de Uribe, que conhece perfeitamente as regras mencionadas, cometeu, com plena consciência, uma agressão armada contra o seu vizinho do Sul ao bombardear o acampamento guerrilheiros, e a seguir invadiu o território do Equador para levar o cadáver de Reyes. Em tal circunstância, a expulsão do embaixador colombiano em Quito, [1] decidida na noite passada pelo presidente equatoriano Rafael Correa, está plenamente justificada, torna-se compreensível, assim como a reacção da Venezuela – que compartilha com a Colômbia uma fronteira muito mais extensa e igualmente permeável – de retirar seu pessoal diplomático de Bogotá e ordenar uma deslocação militar ao longo da linha fronteiriça. Estão por ver-se as reacções oficiais do Peru e do Brasil, os outros vizinhos da Colômbia, cujos territórios podem estar sujeitos, também, a incursões como a perpetrada no Equador.
É pouco provável, por outro lado, que as autoridades de Nariño [2] hajam actuado com plena independência ao ordenar o ataque contra os guerrilheiros em Santa Rosa. O presidente Correa falou de um bombardeio realizado "com tecnologia de ponta, seguramente com a colaboração de potências estrangeiras", o que aponta, sem necessidade de maiores interpretações, para os Estados Unidos. Com efeito, a precisão e a pontualidade da agressão permitem inferir a participação na mesma dos serviços de inteligência estado-unidenses.
A julgar pelo seu comportamento no Iraque, onde teima em prolongar a ocupação militar apesar das evidências de que perdeu a guerra, o governo de George W. Bush parece empenhado em deixar como herança aos seus sucessores – democratas ou republicanos – um mundo incendiado. Nessa lógica perversa, não seria estranho que a Casa Branca alentasse Uribe para que este, por sua vez, mergulhasse as regiões andina e amazónica numa escalada de provocações cujo objectivo não seria precisamente a liquidação das FARC e sim a criação de um contexto favorável aos Estados Unidos para agredir belicamente a Venezuela, a Bolívia e o Equador, países que, cada qual à sua maneira, decidiram exercer a fundo sua soberania independência e colocaram-se, com isso, na mira de Washington.
[1] No dia 3, às 17 horas locais, o governo equatoriano anunciou a ruptura das suas relações diplomáticas com a Colômbia.
[2] Nome do palácio presidencial colombiano.
Este editorial encontra-se em http://www.jornada.unam.mx/2008/03/03/index.php?section=opinion&article=002a1edi
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
O massacre perpetrado sábado passado pela força aérea da Colômbia na localidade equatoriana de Santa Rosa, onde foram mortos o dirigente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) Raúl Reyes e outros 18 efectivos dessa organização guerrilheira, tem uma ominosa projecção regional, pois com essa acção as autoridades de Bogotá enviaram uma mensagem inequívoca aos seus países vizinhos: o governo do presidente Álvaro Uribe considera que tem direito a levar para além das suas fronteiras a guerra que trava contra o grupo insurgente, independentemente das consequências internacionais, e inclusive talvez para converter a confrontação interna colombiana num conflito aberto com países limítrofes.
Com efeito, os insurgentes colombianos, de acordo com dados disponíveis, não foram mortos no decurso de uma perseguição ou de um combate e sim assassinados enquanto dormiam e se encontravam em território equatoriano. Não é infrequente que as organizações armadas irregulares e clandestinas transitem quando convém, e sem subterfúgios, através das linhas fronteiriças internacionais, como ocorria no sudeste asiático, como sucede hoje em dia com os combatentes curdos da Anatólia e como se passou e continuará a passar-se em tantos outros conflitos internos. Em contrapartida, os governos constituídos têm a obrigação de respeitar o território de outros países, e as normas de convivência internacional assinalam com clareza maneiras e procedimentos diplomáticas para enfrentar a presença de dissidentes armados além das suas fronteiras, sem violentar a integridade territorial e a soberania de outros países. Não é demais recordar que o próprio governo de Washington reprovou o governo turco, um dos seus aliados mais sólidos, pelas incursões militares que este realiza no Curdistão iraquiano.
O governo de Uribe, que conhece perfeitamente as regras mencionadas, cometeu, com plena consciência, uma agressão armada contra o seu vizinho do Sul ao bombardear o acampamento guerrilheiros, e a seguir invadiu o território do Equador para levar o cadáver de Reyes. Em tal circunstância, a expulsão do embaixador colombiano em Quito, [1] decidida na noite passada pelo presidente equatoriano Rafael Correa, está plenamente justificada, torna-se compreensível, assim como a reacção da Venezuela – que compartilha com a Colômbia uma fronteira muito mais extensa e igualmente permeável – de retirar seu pessoal diplomático de Bogotá e ordenar uma deslocação militar ao longo da linha fronteiriça. Estão por ver-se as reacções oficiais do Peru e do Brasil, os outros vizinhos da Colômbia, cujos territórios podem estar sujeitos, também, a incursões como a perpetrada no Equador.
É pouco provável, por outro lado, que as autoridades de Nariño [2] hajam actuado com plena independência ao ordenar o ataque contra os guerrilheiros em Santa Rosa. O presidente Correa falou de um bombardeio realizado "com tecnologia de ponta, seguramente com a colaboração de potências estrangeiras", o que aponta, sem necessidade de maiores interpretações, para os Estados Unidos. Com efeito, a precisão e a pontualidade da agressão permitem inferir a participação na mesma dos serviços de inteligência estado-unidenses.
A julgar pelo seu comportamento no Iraque, onde teima em prolongar a ocupação militar apesar das evidências de que perdeu a guerra, o governo de George W. Bush parece empenhado em deixar como herança aos seus sucessores – democratas ou republicanos – um mundo incendiado. Nessa lógica perversa, não seria estranho que a Casa Branca alentasse Uribe para que este, por sua vez, mergulhasse as regiões andina e amazónica numa escalada de provocações cujo objectivo não seria precisamente a liquidação das FARC e sim a criação de um contexto favorável aos Estados Unidos para agredir belicamente a Venezuela, a Bolívia e o Equador, países que, cada qual à sua maneira, decidiram exercer a fundo sua soberania independência e colocaram-se, com isso, na mira de Washington.
[1] No dia 3, às 17 horas locais, o governo equatoriano anunciou a ruptura das suas relações diplomáticas com a Colômbia.
[2] Nome do palácio presidencial colombiano.
Este editorial encontra-se em http://www.jornada.unam.mx/2008/03/03/index.php?section=opinion&article=002a1edi
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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